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Subvenção do seguro rural cobriu apenas 10% da demanda na safra 2018/2019

Os cálculos são da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que estimou a demanda total em R$ 4,1 bilhões
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Bruno Cirillo


O ex-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja-MT) Endrigo Dalcin decidiu contratar o seguro rural no período de 2015/2016, após perder uma safra em função da seca. Desde então, o produtor de Nova Xavantina (MT) gasta cerca de 10% do seu custo de produção para garantir o resultado das lavouras de soja, que ocupam 4,9 mil hectares neste ano. “Metade da produção está segurada. Ainda que a gente encare o seguro como um aumento de custo, temos evitado perdas com veranicos nas áreas de maior risco”, ele conta.

Considerada uma prioridade na atual política agrícola, a subvenção ao seguro rural terá R$ 1 bilhão na safra 2019/2020, quase três vezes mais do que a média dos últimos anos, segundo o Ministério da Agricultura. O orçamento prevê a cobertura de 15,6 milhões de hectares e R$ 42 bilhões em valor da produção agrícola, triplicando o alcance do Programa de Seguro Rural (PSG). “Queremos suprir uma demanda reprimida, de produtores que não buscam seguro ou seguradoras que param de vender apólices porque não têm acesso à subvenção”, afirma o diretor de Gestão de Risco do Mapa, Pedro Loyola.

A demanda total pelas subvenções — diferença paga pelo governo na contratação do seguro — chega a R$ 4,1 bilhões, de acordo com um estudo recente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). “O cobertor da política agrícola é curto, mas o seguro precisa ser priorizado”, diz o vice-presidente da entidade, José Mário Schreiner. “A preocupação maior é sempre com restrições no orçamento”, diz ele. Além de R$ 440 milhões previstos para subvenções do crédito rural na safra 2018/209 cobrirem apenas 10% da demanda estimada pela CNA, as liberações efetivas somaram R$ 370 milhões.

Com o aumento dos riscos climáticos, a procura por seguro tem crescido de maneira exponencial. No Sicred, por exemplo, cooperativa financeira de produtores com mais de 4 milhões de associados, a demanda aumentou 70% no primeiro trimestre de 2019, em relação ao mesmo período do ano anterior. “Dez anos atrás, o clima era mais estável”, explica o diretor de Crédito do grupo, Gustavo Freitas. “O que tem acontecido é uma maior conscientização para a importância do seguro.”

 

seguro rural (Foto: Divulgação)Seguro rural (Foto: Divulgação)
 
Sócio do Sicred, o produtor Vitor Ardom contratou o seguro subvencionado para uma nova plantação de 110 hectares de trigo neste ano. Sua família, que tem 1,1 mil hectares de soja e milho na região de Ponta Grossa (PR), protege dessa forma o resultado das lavouras em todas as safras. “Ano passado tivemos problema com seca e tivemos que acionar o seguro pra soja e pra milho. Ficou um mês sem chover na região. Com o seguro, conseguimos pagar o custeio e uma parte do arredamento”, conta Ardom.

Roubo de gado

Uma das novidades da política agrícola nesta safra é a inclusão da pecuária no rol das subvenções. Produtores de carne, hoje em dia, não têm acesso ao seguro subsidiado pelo governo. No Sicoob, cooperativa com 400 mil associados e que movimenta R$ 4 bilhões por ano no financiamento à pecuária, a demanda por seguro é significativa. “Como o seguro-pecuária é muito ruim no país, boa parte do nosso negócio não está protegido”, conta o gerente de Agronegócios do grupo, Raphael Silva Santana. “O principal problema nas fazendas é o roubo de animais, e as apólices disponíveis no mercado não cobrem isso”, observa.

Os especialistas observam que as subvenções públicas ditam o ritmo de contratação de seguro no Brasil. A expectativa é de que os estímulos atraiam mais investimentos privados para esse mercado. “É um segmento de alto risco. Os prêmios são muito altos por causa do custo operacional. A subvenção é essencial para tornar possível a contratação”, afirma Loyola, do Mapa. “Com o seguro rural avançando, a partir do aumento das subvenções, o mercado fica mais atraente para investidores privados, por causa da mitigação de riscos do setor”, acrescenta Schreiner, da CNA.

Atualmente, as subvenções cobrem 35% do crédito oferecido ao produtor, enquanto 65% são financiados por instituições privadas, de acordo com os estudos da entidade. Esse índice de subvenções já chegou a ser de 60% no Brasil. A percepção do setor é de que o seguro deve ser priorizado como política de crédito, a longo prazo, para alcançar mais produtores com prêmios menores.

Responsável pela emissão de praticamente metade do volume total de apólices de seguro rural no País, o Banco do Brasil preferiu não se manifestar até o lançamento do Plano Safra nesta terça-feira (18).
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  •   Fonte: Bruno Cirillo  
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  •   18 de Junho de 2019  


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